Novo Gol 1.0 duas portas, o teste da semana

Aos 37 anos com motor de última geração, o Novo Gol mais uma vez me surpreende, como aconteceu com o primeiro modelo

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Volkswagen / Eduardo Abbas

Quando ele surgiu no começo dos anos 1980 eu já era um consumidor de automóveis, não fazia idéia que esse seria um dos maiores sucessos da montadora, impressionante saber que ele é o primeiro e único carro brasileiro a ultrapassar a marca de 5 milhões de unidades produzidas até hoje, superando o Fusca em vendas, mas o que me deixa mais feliz é ter feito parte deste sucesso adquirindo durante esse tempo algumas unidades para uso pessoal.


A sua capacidade de renovação e adaptação às novidades tecnológicas transformaram a mais solida base de um carro nacional no maior mutante automotivo, ele está sempre na vanguarda, não é possível hoje imaginar uma frota nacional sem o Gol. E tome transformação, agora ele empresta o motor de seu irmão mais novo, o UP! para se tornar muito mais eficiente e volta ao passado, com aquelas duas imensas portas que inauguraram o modelo no Brasil.


Esse foi um teste mais demorado, foram 20 dias com o objetivo de avaliar o carro em condições de cidade, afinal de contas, sempre que se fala em comprar um Gol, a frase que vem à cabeça é “economia de combustível”, hoje os mais afrescalhados tratam como “eficiência energética”, no fundo é a mesma coisa, quanto vamos rodar com um tanque de gasolina ou etanol? Mas não houve estrada? Sim, um pequeno trecho que na verdade foi só para comprovar o desempenho em condições de velocidade constante.


Claro que a cidade será São Paulo e seu trânsito infernal, às vezes ele colabora, mas em grande parte do tempo é uma dificuldade se locomover de uma região para outra. O modelo Trendline é o de entrada, sem muitos acessórios ou itens de conforto na sua origem (antigamente essa configuração era conhecida como “pé de boi”), mas o modelo que testei contava com dois itens opcionais: ar condicionado, necessário nesse verão e Interatividade 'Media', que permite usar o hands free quando se precisa falar ao telefone.


Bom, vamos lá, abastecido com gasolina comum fui para as ruas, o motor 1.0l de três cilindros Total Flex, da família EA211, já é um velho conhecido, é o mesmo que equipa o UP! e têm 999 cm³ de cilindrada, potência máxima é de 75 cv (55 kW) a 6.250 rpm com gasolina, e de 82 cv (60 kW) com etanol. Sua grande vantagem é o torque máximo de 9,7 kgfm (gasolina) e 10,4 kgfm (etanol) em 3.000 rpm a 3.800 rpm, sendo que a partir de 2.000 rpm 85% já está disponível. Sabe o que quer dizer isso? Em regimes baixos ele não precisa de tanta força, por isso ele vive te solicitando para trocar as marchas para uma mais alta, o câmbio de 5 velocidades tem relações mais longas e economizar combustível é inevitável. E não significa ser manco, essa belezinha vai de 0 a 100 km/h em apenas 12,3 segundos (etanol).


Andar em velocidades menores te dá oportunidade de usufruir tudo que o carro proporciona em conforto e dirigibilidade, é fácil de manobrar em vagas pouco amistosas e a direção hidráulica é quase ou tão leve quanto uma elétrica. Com isso, descobrir lugares na cidade fica mais simples e sua atenção não precisa ser somente voltada ao comando da máquina. Foi assim que encontrei, escondido em Moema, um local onde todos os domingos é servido um brunch no sistema self service: o Pont des Arts, que fica na Avenida Sabiá, 168.


Note que é um local incrustado entre prédios de apartamentos em uma rua calma do bairro da zona Centro-Sul da cidade, a fachada deste ponto de eventos não dá idéia do que te espera lá dentro, é um local onde os filhos de duas e quatro pernas são bem-vindos e tem seu espaço reservado.


Evidentemente que parei para fazer outro tipo de test drive, é um café colonial adaptado ao gosto do brasileiro, principalmente o paulista, que desde setembro de 2015 pode desfrutar a enorme variedade de comidas e bebidas à disposição de quem no domingo não quer ter trabalho na cozinha e consegue emendar o café da manhã com o almoço e até esquecer o jantar, meu caso lógico!


Evidente que minha atração é pelos pães de batata recheados com catupiri, pão de queijo e a tapioca com três sabores salgados e dois doces. Mas tem tudo para todos os gostos, incluindo os sucos detox, salgados de vários sabores, frios, queijos, sobremesas e, quem ainda quer encarar algo mais substancioso, tem o tradicional macarrão e escondidinho, tudo comandado e preparado pelo trio Patrícia/Marcel/Elzinha.


Aqui, evidentemente, não houve a menor preocupação com eficiência energética, muito menos qual o consumo de kg/cal, mas voltando ao Novo Gol, esse sim surpreendeu positivamente, sendo que dos 470 km rodados com o modelo, 90% foram em trechos urbanos, com o ar condicionado ligado e encarando congestionamentos e vias de velocidade baixa.


Em rodovia foram alguns poucos quilômetros, que podem ser considerados “vias rápidas de deslocamento”, pois esse modelo de duas portas tem uma excelente relação custo-benefício e em muitas das vezes, é utilizado em frotas comerciais onde ser rápido, econômico e funcional é fundamental. O Novo Gol conta com novos pára-choques, novos faróis e novas lanternas destacam as linhas horizontalizadas, incorpora novidades tecnológicas como vidros elétricos, travamento central, limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro com temporizador, cinto de segurança traseiro retrátil, rodas de 14 polegadas com pneus de baixa resistência ao rolamento, alerta de não-utilização do cinto de segurança e o instrumento combinado que indica a marcha e a necessidade imediata da troca.


Ele não tem computador de bordo nesta versão, apenas indicador da quilometragem percorrida, medidor de combustível, conta-giros e temperatura, a conta do consumo é sua, então pode fazer: foram 470 km com meio tanque gasto, ou seja, 27,5 litros de gasolina, a média é de 17,09 km/l, tá bom ou quer mais? Provavelmente vou ter que correr o dobro disso para gastar metade do que comi no brunch, dá pra perceber que o carro é muito mais econômico que o motorista que o conduz...


O Novo Gol Trendline 1.0 tem 3 anos de garantia completa, 5 anos da lataria, revisões planejadas, financiamento direto, 7 cores, 4 tipos de opcionais, agendamento de test drive, preço inicial sugerido de R$ 36.550 e aquela velha mania que perdura desde os anos 80: surpreender esse velho e faminto jornalista.


Ficha técnica

Eduardo Abbas. Tecnologia do Blogger.