A nova produĂ§Ă£o da Sony Pictures trĂ¡s uma adaptaĂ§Ă£o
de um romance baseado em outro romance
Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Sony Pictures
JĂ¡ vou avisando, tem que gostar
do tema “Zumbi”, aqueles seres
repugnantes que adoram comer cérebros de humanos no almoço e no jantar. Parece que
os ingleses tĂªm verdadeira fissura por esse tipo de anomalia que o ser humano
passa a ter desde que sejam mordidos pelos mortos-vivos, sĂ£o uma quase vontade
de reverenciar a vida eterna de uma forma, digamos, menos normal.
O filme foi baseado em um best-seller, escrito por Seth
Grahame-Smith e que virou uma febre no mundo. Mas, e sempre existe um
mas, o livro tambĂ©m se baseia em outro livro, este sim um clĂ¡ssico da
literatura, Orgulho e Preconceito, publicado em 1813, de autoria de Jane
Austen e teve no cinema 4 filmes, na televisĂ£o mais 3, 4 montagens
teatrais e 9 outros livros com base neste primeiro.
Estréia nesta quinta-feira nos
cinemas do Brasil Orgulho e Preconceito e Zumbis (Lionsgate, Affinity
Entertainment, Sierra Pictures (III), Handsomecharlie
Films, Darko Entertainment, Sony Pictures ), onde uma misteriosa praga
espalha zumbis sobre a terra, mais especificamente, na Inglaterra do século 19.
Nesta releitura, a heroĂna Elizabeth Bennet (Lily
James estĂ¡ bem no papel, mas em nada lembra uma garota daquele sĂ©culo)
Ă© mestre em artes marciais e armas e tromba com o enigmĂ¡tico Mr.
Darcy (Sam Riley, lembrado por Control, um filme sobre
a vida e a morte do cantor Ian Curtis), um assassino voraz de
zumbis.
Na medida em que o surto de
zumbis se intensifica, eles devem engolir seu orgulho e unir forças no campo de
batalha encharcado de sangue, a fim de conquistar o mundo dos mortos-vivos de
uma vez por todas. E Ă© aĂ que a coisa pega um pouco, as cenas de morte dos
zumbis sĂ£o recheadas de sangue e os ditos cujos sempre explodem prĂ³ximos de
algum personagem.
As atuações sĂ£o corretas, mas
falta um pouco da mĂ£o do diretor Burr Steers que tem pouca coisa no currĂculo
(a mais famosa produĂ§Ă£o Ă© 17 outra vez) e sua conduĂ§Ă£o deixa
a desejar no empenho de atuaĂ§Ă£o. O texto, apesar de adaptado para o cinema de
hoje, tem como base o teatro, onde a força dos personagens se concentra em representações
viscerais, coisa meio rara neste longa.
A fotografia, feita pelo inglĂªs Remi
Adefarasin, Ă© muito bem realizada, nĂ£o traz aquela textura escura dos
filmes ingleses e explode em cores vivas na tela, mesmo nas cenas noturnas, o
campo de visĂ£o Ă© amplo e coerente, enxerga-se tudo sem mudar a cara da noite, o
que ajuda na ediĂ§Ă£o, que Ă© moderna e ritmada.
O elenco de apoio se baseia nas interpretações
dos personagens centrais e nĂ£o dĂ¡ pra fazer milagre. O texto modernizado inclui
algumas piadas ou situações levemente engraçadas, talvez para quebrar um pouco
a rudeza do enredo, mas nunca para se esquecer os famintos comedores de cérebros.
Confesso que nĂ£o li o livro
atual, mas segundo especialistas Orgulho e Preconceito e Zumbis
foge um pouco do que a literatura propõe, portanto, é melhor ir assistir sem
ler e deixar para fazĂª-lo depois. O filme tem um orçamento de US$ 80 milhões,
tem a Natalie Portman como uma das produtoras, tem feitos e efeitos
para todos os gostos e deixa aquela pergunta no ar: SerĂ¡ que vai ter parte 2? Acho que sĂ³ Deus sabe!
A gente se encontra na semana que vĂªm!
Beijos & queijos
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