ANFAVEA: Anfavea revisa projeções da indústria automobilística para 2017

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Anfavea, divulgou na quinta-feira, 6, em São Paulo, SP, os resultados da indústria automobilística de junho e do primeiro semestre

Texto: Anfavea / Eduardo Abbas
Fotos: Marcel Mano


Na ocasião, revelou também suas novas projeções de vendas, produção e exportação de autoveículos para 2017.


As novas expectativas da entidade apontam um crescimento de 35,6% nas exportações, o que significa chegar ao fim deste ano com 705 mil unidades enviadas para outros países – a projeção anterior era de crescimento de 7,2%.
Esta mudança, em conjunto com a diminuição da participação de importados, levou a uma previsão maior também na produção: saltou de 11,9% para 21,5%, alcançando 2,62 milhões de unidades ao término do ano. Para as vendas ao mercado interno a previsão manteve-se inalterada.
Para Antonio Megale, presidente da Anfavea, a revisão foi necessária em decorrência, essencialmente, do resultado positivo das exportações:


“Nossa previsão inicial para as exportações já era bastante relevante, mas com o aumento mês a mês do resultado foi preciso rever nossos números para cima, o que é extremamente importante para o setor automotivo por impactar diretamente na produção. Entretanto, o resultado do mercado interno ainda apresenta estabilidade e não é suficiente para ocupar a capacidade ociosa que a indústria apresenta”.
As projeções para o segmento de máquinas agrícolas e rodoviárias também não foram alteradas.

Resultados
O licenciamento de autoveículos em junho ficou em 195 mil unidades, praticamente estável sobre as 195,6 mil vendidas em maio e maior em 13,5% contra as 171,8 mil do mesmo mês do ano passado. No primeiro semestre deste ano 1 milhão de unidades foram comercializadas, crescimento de 3,7% ante as 983,5 mil de 2016.


De acordo com Megale, “a média diária de vendas em junho foi a melhor do ano até agora e este é o segundo mês consecutivo de crescimento sobre o mesmo mês do ano anterior. Isto representa mais um sinal da estabilização no comportamento dos negócios da indústria automobilística. Se tivermos um ambiente político mais estável e com alguns indicadores macroeconômicos positivos, a tendência é de retomada”.


As exportações apontaram para mais um recorde para a indústria automobilística este ano: foi o maior volume exportado em um primeiro semestre na história. Com 372,6 mil unidades enviadas para outros países em 2017, houve um aumento de 57,2% ante as 236,9 mil do ano passado. Somente em junho foram negociadas 66,1 mil unidades, 9,3% abaixo das 72,8 mil de maio e 40,9% maior no comparativo com as 46,9 mil de junho de 2016.


Na produção, o sexto mês deste ano registrou 212,3 mil unidades fabricadas – diminuição de 15,4% contra as 250,9 mil de maio e acréscimo de 15,1% na análise com as 184,5 mil de junho anterior. No acumulado do ano o setor apresentou resultado superior em 23,3%, com 1,3 milhão de unidades em 2017 e 1 milhão no ano passado.

Caminhões e ônibus
As vendas de caminhões no acumulado do ano ficaram em 21,5 mil unidades: queda de 16,1% na análise com as 25,6 mil do ano passado. No último mês 4,2 mil unidades foram comercializadas, crescimento de 2,8% frente as 4,1 mil de maio e estável com junho do ano passado.


Os fabricantes de caminhões produziram em junho 6,8 mil unidades, menor em 10,3% sobre as 7,6 mil de maio e superior em 22% no comparativo com as 5,6 mil de junho de 2016. No semestre, 36 mil caminhões saíram das linhas de montagem, o que significa expansão de 15,3% ante as 31,2 mil do ano passado.
Os embarques para outros países ficaram em 2,8 mil unidades em junho – aumento de 9,9% ante as 2,5 mil de maio e de 62% frente as 1,7 mil de junho do ano passado. Até o sexto mês do ano 13,6 mil caminhões foram exportados, alta de 45,4% em relação as 9,4 mil de igual período do ano passado.


No segmento de ônibus, as vendas em junho foram de 1,3 mil unidades, crescimento de 17,4% contra as 1,1 mil de maio e de 27,6% no comparativo com as 982 unidades de junho de 2016. No acumulado o resultado apresenta retração de 13,8% ao comparar as 4,9 mil unidades de 2017 com as 5,7 mil do ano passado.
A produção de chassis para ônibus no primeiro semestre de 2017 foi de 10 mil unidades, elevação de 7,9% em relação as 9,2 mil do ano passado. Em junho 2,2 mil unidades foram fabricadas: alta de 4,9% sobre as 2,1 mil de maio e de 22,6% contra as 1,8 mil de junho do ano passado.
As exportações no acumulado do ano ficaram em 4,1 mil unidades – alta de 6,8% ante as 3,8 mil do ano passado.

Máquinas agrícolas e rodoviárias
As vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias no acumulado do ano foram de 21,3 mil unidades, resultado maior em 21,8% frente as 17,5 mil do ano passado. Em junho 4,1 mil unidades foram comercializadas, resultado estável tanto contra maio quanto contra junho de 2016.


Na produção do sexto mês do ano, 5,5 mil unidades foram fabricadas, retração de 5,8% ao se defrontar com as 5,9 mil de maio e maior em 18,5% no comparativo com as 4,7 mil de junho do ano passado. No semestre o resultado foi superior em 41,4%: 29 mil unidades este ano e 20,5 mil em 2016.


As exportações em 2017 estão em 5,7 mil unidades, o que significa crescimento de 28,5% sobre as 4,5 mil do ano passado.


As boas novas
Com uma média diária de 9.000 unidades produzidas, a indústria começa a dar sinais e boa recuperação depois de um período crítico, os estoques nas concessionárias e montadoras está em um nível pouco acima do considerado pela Anfavea como normal, mas nada preocupante e dentro do previsto para a entrada do mês de julho.


Uma boa surpresa é a quantidade de veículos Híbridos e Elétricos que foram vendidos nesse primeiro semestre, os números apontam para uma alta expressiva: no ano passado foram licenciados 1.091 veículos dessa categoria, agora no final de junho já era somente este ano 1.184 e isso é só o começo.


Os empregos mantiveram o nível de estabilidade, com uma perda muito leve e considerada ajuste pelo setor. O que aumentou foram os funcionários nos regimes de garantia de emprego, no mês de junho o PSE tinha 9.754 pessoas e o Layoff 2.788, um total de 12.542 contra 10.327 no mês de maio, mas com os sinais de retomada da produção e vendas, esses números vão cair até o fim do ano.
Eduardo Abbas. Tecnologia do Blogger.