Segundo dados da Abiquim, a produção de resinas termoplásticas cresceu 5,7% em 2016, sobretudo pelas exportações que aumentaram 31,7%

Texto e fotos: Abiquim

De acordo com a equipe de Economia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), as vendas internas e a demanda nacional de resinas termoplásticas, após apresentaram forte recuo em 2015, apresentaram desempenho estável em 2016. As vendas internas tiveram elevação de 1,1% em volume, enquanto a demanda nacional das principais resinas, medida pela somatória das vendas internas mais importações, registou apenas 0,2% de crescimento no ano passado, em comparação ao ano anterior.


As exportações, no entanto, apresentaram significativo crescimento de 31,7%, devido principalmente ao câmbio favorável. Segundo a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello Ferreira, o ambiente internacional também contribuiu para o resultado: “A desvalorização do real frente ao dólar incentivou as exportações das resinas brasileiras, mas também deve-se destacar que o crescimento de outros mercados e o momento favorável do ciclo petroquímico foram decisivos para que as empresas brasileiras aumentassem suas exportações”.
Fátima Giovanna ainda complementa que o não crescimento da demanda interna levou as empresas a direcionar seus produtos para outros mercados até pela natureza das operações, que não permite redução da produção de forma acentuada. Então, para manter os ativos trabalhando com segurança, houve a necessidade de se manter a produção, buscando alternativas no mercado externo, muitas delas com margens reduzidas. Segundo dados da Abiquim, as vendas internas mais as importações tiveram desempenho fraco, crescendo 0,2% em 2016, em comparação ao ano anterior. O CAN (vendas internas + importações – vendas externas) registrou queda de 2,8%. O produtor nacional se esforçou para recuperar parte do mercado ocupado pelas importações, mas teve que encontrar nas exportações a saída para a crise econômica brasileira.
Diante deste cenário, Fátima Giovanna finaliza: “Esse quadro mostra claramente que o nosso mercado permanece estagnado, no entanto, parou de cair. Dada a capilaridade das resinas termoplásticas em termos da diversificação de aplicações em diversas cadeias, a se manter o ritmo de fechamento dos dados do quarto trimestre do ano passado, a demanda deve voltar a apresentar algum crescimento neste ano”.
Em relação à demanda interna de resinas, o PVC e PE + EVA registraram queda de -1,5% e -0,5%, respectivamente. Já o PP cresceu 1,4%, o PET 1,1%, e o PS 4,1%. Ao todo, foram produzidas no Brasil 7.520 mil toneladas de resinas em 2016, que equivalem a uma taxa de utilização da capacidade instalada de 80%.
O cenário do mercado brasileiro de resinas termoplásticas, explica Fátima Giovanna Coviello Ferreira, reflete o momento atual delicado da indústria química brasileira, cuja produção não registra crescimento há 10 anos, o que comprova um período de dificuldade e de falta de competitividade, que culmina no elevado índice de ociosidade atual e na falta de atratividade para novos investimentos para o setor. Os novos investimentos só virão, principalmente em um setor capital intensivo, com a ocupação das instalações atuais e melhora das condições gerais de mercado. Não se pode deixar de mencionar que a retomada da atividade econômica e da demanda interna voltarão a pressionar os resultados da balança comercial de produtos químicos. Outra preocupação do segmento diz respeito à entrada em operação de novos projetos petroquímicos nos Estados Unidos e a possibilidade de que parte dessa nova oferta se direcionar para o mercado brasileiro.
Por essas razões, a indústria química carece de ações urgentes, de curto prazo, que possam estimular as atuais plantas ao retorno da operação em um nível maior de utilização da capacidade, bem como medidas mais estruturantes, de longo prazo, que possam atrair novos investimentos e efetivamente fazer com que as oportunidades de investimentos existentes possam transformar-se, definitivamente, em realidade.


CAN: (vendas internas + importações) – vendas externas