COLUNA SÉTIMA ARTE: Ah, que peninha...

Um diretor premiado, uma atriz premiada, um dos melhores atores do cinema, uma produção impecável, o que deu errado?

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Paramount Pictures

Não foi desta vez que Brad Pitt conseguiu chegar lá na categoria de melhor ator no Oscar®, já teve algumas chances antes, mas esse deveria ser o filme que o catapultaria ao encontro do careca dourado, nem indicado foi. Não sei se por causa da sua recente separação, claro que ela teve início durante as filmagens, ou mesmo por conta de um pulso mais forte do diretor, fato é que, muito se esperava e pouco apresentou.


O filme é uma das mais belas recriações que foram feitas quando se trata do lado light da segunda guerra mundial, aquelas histórias que acontecem longe do campo de batalha e que tem ligação direta com o conflito que mudou o homem e o futuro da humanidade no começo do século XX, são tão ou mais importantes que dar tiros e matar o inimigo, claro, as centrais de inteligência que estavam envolvidas (como se houvesse inteligência em guerra...) foram responsáveis pelo êxito, operando de longe os soldados e criando armadilhas para o inimigo.


Estréia nesta quinta-feira no Brasil, quase três meses após os cinemas Norte Americanos, Aliados (GK Films, ImageMovers, Paramount Pictures), outra história do conflito mundial e que é uma dessas obras com imagens lindíssimas, realização de primeira, enredo muito curioso, atores e realizadores do primeiro time.


O roteirista da moda é o inglês Steven Knight (O Dono do Jogo, Pegando Fogo) que escreveu este roteiro original, ele se juntou ao premiado diretor Robert Zemeckis (O Vôo, Forest Gump, De Volta Para o Futuro) e juntos criaram essa estória repleta de mistério, emoção e romance. Numa missão urgente para a britânica SOE (Special Operations Executive), o aviador canadense Max Vatan (vivido por Brad Pitt) salta de paraquedas, em Casablanca, no Marrocos, para assassinar o embaixador da Alemanha.


Lá, ele encontra Marianne (interpretada pela ótima Marion Cotillard de Piaf – Um Hino ao Amor, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Assassin's Creed) da resistência francesa que é escolhida para se passar por sua esposa. Porém, a paixão crescente que sentem um pelo outro logo se transforma em mais que uma encenação e após o fim da missão, ambos seguem para Londres, onde se casam e iniciam uma família. Tudo vai bem até Max ser informado que Marianne pode estar ligada aos alemães.


O complicado é admitir que Robert Zemeckis esta vivendo o período “lenda” na carreira, aquela chama criadora que o transformou em um dos maiores e melhores diretores de Hollywood parece estar com o gás um pouco baixo. Dá para notar isso na interpretação do elenco de suporte, o envolvimento com o texto é muito menor que se espera, não acredito que faltou empenho do diretor nem dos atores, mas ficou devendo, sabe aquele sorriso de canto da boca, um olhar de cima para baixo, enfim, detalhes que marcam personagens, até nos momentos de tensão se têm uma enorme passividade.


Dois amigos de longa data de Zemeckis, o diretor de fotografia Don Burgess e o maestro Alan Silvestri (ambos estiveram em Forest Gump e Náufrago) não repetiram o brilhantismo de produções passadas, eles não comprometem o produto final, mas um fator se torna mais pesado, é a edição arrastada e pouco criativa, a narrativa é lenta e em momentos de maior tensão deixa impressão do filme ser mais longo que os 124 minutos. Mick Audsley e Jeremiah O'Driscoll não estavam em seus melhores dias, é até justificável pela enorme quantidade de CGI que foi utilizada na reconstituição e cenários.


Indicado apenas ao Oscar® de melhor figurino, Aliados é um filme para ser assistido com contemplação, custou US$ 85 milhões e faturou US$ 113 milhões, teve concorrentes pesados nas outras categorias que concorrem ao careca dourado e pouco deixa como legado, mas vale como obra cinematográfica que, olhando com mais cuidado, poderia ser melhor entendido se tivesse sido adiado em um ano a estréia, sabe aquele momento que você deve ficar em casa pensando na vida? Talvez tenha faltado isso aos produtores.


A gente se encontra na semana que vêm!

Beijos & queijos
Eduardo Abbas. Tecnologia do Blogger.