COLUNA SÉTIMA ARTE: Longe do careca dourado

20 anos depois da última decepção com a academia, o galã e ótimo ator virou um produtor bom de bilheteria

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Paramount Pictures

Existem momentos na vida da gente que é melhor fazer o que se gosta do que tentar agradar a todos sem o devido reconhecimento. Esse pode ser um resumo da carreira de Tom Cruise, um ótimo ator dramático que não teve, pelo menos no seu modo de ver, a devida recompensa pela carreira, disputou dois Oscar® de ator principal e um de coadjuvante e não levou nenhum.


Depois de Jerry Maguire - A grande virada em 1996, ele meio que desistiu de tentar fazer papéis que poderiam levá-lo a ganhar a tão sonhada estatueta, ainda teve mais uma indicação em 1999 como coadjuvante, ele mesmo não coloca na conta até porque nesse período já estava mais focado em fazer tipos que tinham mais a ver com sua personalidade e seu modo de vida. Talvez isso se deva ao fato de ser um seguidor da Cientologia, que tem influência marcante em seu trabalho, ela ensina que as pessoas são seres imortais, é um tipo de aconselhamento onde os praticantes revivem conscientemente eventos dolorosos ou traumáticos do passado para libertar-se dos seus efeitos limitantes.


A única certeza é que, desistindo das produções mais voltadas a tentar ganhar o tão cobiçado Careca Dourado ele se atirou de cabeça em um gênero pouco querido pelos seus concorrentes de rostinho bem cuidado, todos os dentes na boca e que sempre ficam com a mocinha no final, e se deu muito bem até agora. Estreou no Brasil pouco mais de um mês depois dos Estados Unidos, a continuação Jack Reacher: Sem Retorno (Paramount Pictures, Skydance) o segundo filme baseado na obra literária do escritor Lee Child que já escreveu mais de 20 livros sobre as façanhas do herói, portanto, tem muita lenha ainda no galpão!


Como produtor, Cruise chamou para dirigir essa seqüência seu parceiro em O Último Samurai. Edward Zwick é um desses diretores que sempre conseguem fazer de um limão uma limonada, foi assim em Diamante de Sangue, Amor e Outras Drogas, Ato de Liberdade, sempre com atores de ponta e deixando sua marca como realizador. O filme agora tem uma enorme preocupação com a ação, as cenas de lutas são muito bem realizadas e registradas, são tantos elementos em momentos de pancadaria que fica difícil saber quem está batendo ou mesmo apanhando.


No filme, Jack Reacher (Tom Cruise) retoma o seu lado justiceiro e a sua corrida para descobrir a verdade sobre soldados ainda ativos, mas que já estiveram sob seu comando, e que agora estão sendo mortos. Anos após renunciar ao comando de uma unidade de elite do exército, Reacher é atraído de volta à vida que havia deixado para trás quando sua amiga e sucessora, a Major Susan Turner (a maravilhosa canadense Cobie Smulders, que esteve em Capitão América 2: O Soldado Invernal, Vingadores: A Era de Ultron), é acusada de espionagem.


Certo de que ela é inocente, o nômade justiceiro não vai parar até provar a inocência dela e descobrir os verdadeiros responsáveis por trás das mortes de seus antigos soldados. É uma trama já meio manjada, tem uma enorme mancada do herói quando vai se livrar de um celular, mas serve para apimentar mais o enredo e deixar a situação a ser definida com muitas pontas soltas, claro que isso se deve ao roteiro bem amarrado e também assinado por Zwick.


Prepare-se para muitos tiros, brigas, perseguições e climas românticos mal resolvidos, uma fórmula de sucesso de bilheteria que prende o espectador e rende ótimos frutos. Para se ter uma idéia, foram gastos US$ 60 milhões na produção que já faturou quase US$ 140 milhões no mundo, uma soma respeitável que incentiva os produtores a continuarem aproveitando os livros escritos por Child e dando vida ao herói fora-da-lei.


Não assistir a Jack Reacher: Sem Retorno pode ser considerado uma heresia pelos cinéfilos de plantão, todos aqueles que adoram um filme policial de suspense bem feito, tem um elenco jovem muito competente, é narrado sem preocupação com detalhes cotidianos e tem seu enredo atualíssimo, vive a vida como se fosse um de nós, eleva o alto nível de atuação de um dos melhores atores de sua geração que foi desdenhado pela academia.


O Oscar® transformou Tom Cruise, o ator acabou seguindo o caminho de várias pessoas que, em algum momento da vida, resolvem parar de querer agradar o mundo e se preocupam mais em serem felizes, talvez seja esse o grande segredo e a enorme longevidade que tanto o homem quanto seus personagens têm, a felicidade e a realização das pessoas quase sempre passam longe de um tapete vermelho qualquer.


A gente se encontra na semana que vêm!

Beijos & queijos

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