COLUNA DO BORRACHA - Um sonho muito distante

Depois do fim de semana japonês, resta a Hamilton apenas aplaudir o companheiro de equipe

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: f1.com

O cheiro que me referi na semana passada acabou influenciando o resultado do campeonato da Fórmula 1 em 2016, só com uma quebra ou desistência de Rosberg é que Hamilton consegue voltar a disputar o título de piloto deste ano, mas as ações, reações e conseqüências que ele teve no fim de semana o isolam e afastam do tetracampeonato.


Claro que tudo é um jogo, o inimigo usa todas as armas que conhece e mexe inclusive com a parte mais profunda da psique, que no caso do inglês, desde sempre não foi lá essas coisas. O Hamilton teve dois anos em que foi mais focado e não se deixou influenciar por nada, ganhou dois campeonatos do mundo e agora, quando iria conquistar o terceiro, acabou sucumbindo à pressão do adversário e também da equipe.


Podem até dizer que não, mas um campeão alemão em uma equipe alemã certamente é o maior sonho de Dieter Zetsche, presidente do conselho de administração da Daimler AG, o Turco que parece o irmão mais velho do Asterix e paga o salário de todos na Mercedes, que inclusive já ganhou o campeonato de construtores deste ano.


Na verdade a equipe nem precisa mais de Lewis, já conseguiu atingir um nível de superioridade tão grande que o piloto que lá sentar vai vencer e fatalmente será também campeão. Só faltava isso pro Nico, ele já tem números suficientes para fazer parte do seleto grupo dos melhores do mundo, não tem aquela diferença para os demais, vai ganhar por causa do carro.


Não sei se é o caso, mas os alemães não costumam passar a mão na cabeça de seus empregados por muito tempo, pode ser que já estejam procurando um substituto para Hamilton. É tamanha a descompensação que ele apresenta atualmente que não me espantaria se no final de 2017 ele seja trocado pelo Vettel, inclusive porque o contrato do alemão com a Ferrari acaba no fim do ano que vêm. Será?


O certo é que o Lewis ficou nervoso na coletiva, brigou com um fã e fez uma das piores largadas da carreira, só chegou em terceiro por causa do carro que tem, em outras condições fatalmente nem teria pontuado ou iria se meter em algum tipo de confusão na pista. Melhor para o Verstappen que agora se meteu na classificação entre os dois pilotos da Ferrari.


E no time italiano, na verdade falta um chefe que não seja oriundo e que trate a equipe de maneira mais profissional e menos passional, o Arrivabene deve dar arrivederci por conta dos maus resultados e da eterna insatisfação do Vettel, a equipe precisa entender que não contratou um novo Schumacher, que pilotava qualquer coisa com rodas, contratou um piloto da nova geração que se não tiver computador de bordo nem sabe onde liga o carro.


E a nova geração continua as tratativas para se manter na categoria, Felipe Nasr tem algumas opções, mas tudo aponta mesmo para uma continuidade na Sauber que, ano que vem vai ter que fazer um carro novo como todos os outros, as mudanças vão impactar principalmente quem tem menos dinheiro e recursos, mas não quer dizer que serão piores e é nisso que está a aposta. Claro que ele deveria ter uma chance em uma equipe melhor, acontece que nem sempre as coisas são como queremos.


Passando a régua, vale citar que na Fórmula E tudo começou como acabou: Buemi já largou na frente e o Lucas Di Grassi chegou em segundo, o campeonato deve polarizar entre os dois de novo e talvez o brasileiro tenha mais sorte na nova temporada. Eu fico por aqui, na semana que vêm eu volto pra falar da MotoGP que vai ter agora sua etapa nipônica, por lá as coisas também estão se definindo.


Beijos & queijos

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