Apesar dos números negativos e a nova projeção ser menos otimista que a do início do ano, a entidade ainda acredita que os números deste ano serão maiores que de 2021

Texto e fotos: Eduardo Abbas / Fenabrave

Antes de falar dos números, do mercado, do que se projeta para o futuro, quero celebrar o presente, voltar a encontrar os amigos e companheiros de profissão depois de passar por uma pandemia que nos tirou a liberdade e muita gente querida, foi mais que um presente de aniversários que eu ganhei. Nessa ausência do contato entre humanos, a Fenabrave mudou de presidente, Andreta Jr assumiu no começo do ano e vai ficar até o fim de 2025 no comando da entidade, ele trouxe novos números para a previsão, na verdade é uma repetição de quase todos os que foram praticados no ano passado.

No mês de junho, com um dia útil a menos, os emplacamentos de veículos registraram retração de 6,6%, na comparação com maio, mas ficaram 2,1% acima do mês de junho de 2021. “Considerando que a diferença de um dia útil representa, em média, 5% nas vendas mensais, podemos considerar que o mercado, em junho, ficou estável”, analisa Andreta Jr. Quem está puxando os números para cima é o segmento de motocicletas, ele cresceu mais de 23% até junho, na comparação ao acumulado do ano passado, fez com que o 1º semestre de 2022 fechasse em ligeira queda, de apenas 3%.

Tabela de emplacamentos de veículos em Junho

Desempenho por Segmento
Na primeira metade do ano alguns fatores contribuem para a negativação dos números dos diversos segmentos, a dificuldade de crédito é um fator que impede o consumidor de menor renda adquirir o bem, existe também a dificuldade de produção de alguns veículos pela falta de componentes e uma oferta de produto que não é a desejada. Enquanto não se melhora a produção, veja como ficou cada segmento no mês passado:


Revisão das Projeções
Considerando a análise do último semestre, a Fenabrave revisou suas projeções para os emplacamentos de veículos em 2022. Para o Setor em geral, a entidade que, em janeiro, estimava um aumento de 5,3% para as vendas de veículos, agora projeta que 2022 encerrará com uma alta de 5,5%.

  • Autos e leves - Após revisar as projeções, esses segmentos apontam para o mesmo resultado de 2021. Inicialmente, a entidade estimava um aumento de 4,4% para as vendas de automóveis e comerciais leves em 2022, número que poderá ser confirmado, caso as montadoras consigam ampliar sua produção, para atender à demanda do varejo e das Vendas Diretas.
  • Caminhões - Contra uma estimativa inicial de aumento de 7,3%, agora a Fenabrave projeta igualar os resultados deste ano aos obtidos em 2021. O segmento ainda sofre com o abastecimento de peças e componentes, mas, se a indústria conseguir atender, parcialmente, à demanda do mercado, que deve antecipar as compras dos modelos EURO 6, que entrarão em vigor a partir de 2023, o segmento poderá se equilibrar, sem perdas.
  • Ônibus - Diante de uma expectativa inicial de crescer 8% este ano, o segmento de ônibus deverá arrefecer no segundo semestre, chegando a um resultado geral de 2,8% positivos sobre 2021. Essa desaceleração acontece em função da paralisação de programas governamentais como o Caminho da Escola.
  • Motocicletas - Sem dúvida, o melhor resultado entre todos os segmentos automotivos, as motocicletas devem superar as projeções iniciais da Fenabrave, que estimava um aumento de 6,2% nos emplacamentos, em janeiro. Com o aumento dos serviços de entrega, o efeito substituição do automóvel, em função do preço dos combustíveis e pela escolha do transporte individual, as motos devem ter sua demanda ampliada para 16,7% este ano, devendo superar 1.3 milhão de unidades.
  • Implementos Rodoviários - Como tiveram seu melhor resultado histórico no ano passado, que já significou renovação desses equipamentos em grandes volumes, os Implementos Rodoviários se descolaram do desempenho de caminhões este ano, e devem ter retração nas vendas. Com isso, a expectativa da Fenabrave saiu de um crescimento de 9,4% para uma queda de 9,6%, nos emplacamentos em 2022. A dificuldade na obtenção de crédito deve colaborar para a queda do segmento.
  • Tratores e Colheitadeiras - Sem serem emplacados, esses segmentos são projetados com base no atacado. Em função do bom momento vivido pelo agronegócio, as perspectivas otimistas se confirmam e ao invés do crescimento de 14,7%, os segmentos deverão aumentar suas vendas em 17,7% este ano.