Com uma realizaĂ§Ă£o primorosa e uma estĂ³ria que precisa ser entendida profundamente, o filme deve ser visto na tela do cinema

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Warner Bros. Pictures

Christopher Edward Nolan (o Edward Ă© garantia de coisa bem feita!) Ă© hoje o melhor realizador do cinema moderno, sempre conta boas histĂ³rias misturando efeitos visuais de Ăºltima geraĂ§Ă£o sem estragar o que jĂ¡ era bom, atĂ© porque ele cria novas perspectivas para velhos e novos personagens, o resultado Ă© te convencer do impossĂ­vel: o que esta na tela Ă© real! Ou serĂ¡ que nĂ£o?

O cinqĂ¼entĂ£o inglĂªs jĂ¡ arrebenta bilheterias faz tempo, experimenta algumas novidades que levam algum tempo para serem assimiladas, em alguns casos tempo atĂ© demais e acabam virando Cult, mesmo assim, sua chispa criadora nĂ£o se cansa de ousar, isso Ă© o que ele mostra em Tenet (Syncopy Films, Warner Bros. Pictures) que ele mesmo escreveu, produziu, dirigiu e que hoje finalmente chega aos cinemas brasileiros, claro, por causa da pandemia, o filme jĂ¡ estĂ¡ em cartaz nos EUA e UK.

A realizaĂ§Ă£o Ă© um espanto, muito moderna e com vĂ¡rios takes da mesma sequencia, normal em grandes produções, o fora do comum Ă© usar a maioria no produto final, quase nada ficou fora da montagem. A estĂ³ria apresenta uma mistura perturbadora de aĂ§Ă£o e sofrĂªncia de seus personagens, o principal Ă© John David Washington (filho do Denzel) ele estĂ¡ armado com apenas uma palavra, ela vai abrir as portas certas e algumas erradas tambĂ©m.

Ele luta pela sobrevivĂªncia do mundo pelo lado obscuro da espionagem internacional, a missĂ£o se desdobra em algo alĂ©m do tempo real, nĂ£o Ă© viagem no tempo, Ă© inversĂ£o, a estilizaĂ§Ă£o do nome pode explicar muita coisa: Teneê“•. O elenco Ă© de primeira, conta com Ă³timo Robert Pattinson, a gigantesca Elizabeth Debicki, o eterno coadjuvante de Nolan, Michael Caine e o sempre talentoso vilĂ£o Kenneth Branagh, sĂ³ para citar alguns.

O que chama mesmo a atenĂ§Ă£o Ă© a realizaĂ§Ă£o fora do eixo e com recursos tĂ©cnicos dos mais avançados. O diretor de fotografia Hoyte van Hoytema (Interestelar, Dunkirk) usou uma combinaĂ§Ă£o de cĂ¢meras IMAX® e 70 mm, fora drones, Steadicam com mais de uma cabeça, trilhos, gruas para captar todas as ações e nuances que o filme exigiu.

Impressionam os efeitos visuais feitos pela competentĂ­ssima Double Negative em parceria com a Clear Angle Studios e nĂ£o importa de qual lado vocĂª estĂ¡ vendo, a surpresa Ă© grande. Claro que nĂ£o podia faltar o toque feminino, toda produĂ§Ă£o que se preza tem que contar com esse importante olhar. Eu sempre considerei a montagem o ponto principal em qualquer tipo de realizaĂ§Ă£o, seja televisĂ£o, cinema e, mais recentemente a internet.

Saber juntar todos os pedaços com coerĂªncia e sentido, atĂ© aqueles que nĂ£o fazem sentido, serĂ£o o sucesso ou o fracasso de uma obra. O filme Ă© muito, mas muito, mas muito bem editado, isso por causa da competentĂ­ssima Jennifer Lame (Manchester Ă  Beira-Mar) que deu o ritmo certo ao que certamente Nolan imaginou quando escrevia o roteiro.

NĂ£o preciso dizer que Tenet, que foi filmado em sete paĂ­ses diferentes e custou US$ 205 milhões Ă© imperdĂ­vel, tem que ser apreciado no cinema dando preferĂªncia para telas grandes, sempre tomando todos os cuidados para evitar a propagaĂ§Ă£o da Covid-19 e podendo testemunhar o que existe de melhor na arte de fazer cinema.