A era digital criou seus gĂªnios e seus monstros, a inclusĂ£o de quem viveu intensamente a vida nos anos 70 e 80 tem suas desvantagens para quem Ă© filho dos atuais modelos cibernĂ©ticos de relacionamento


Texto: Eduardo Abbas

A vida Ă© realmente dura para todos aqueles que nĂ£o fazem parte da nova geraĂ§Ă£o de vive conectada. O respeito ao semelhante e as relações interpessoais passam por um novo modelo de aprovaĂ§Ă£o, a nova geraĂ§Ă£o de trabalhadores do mundo tem que ser um pouco mĂ¡quina. Foi pensando nessa situaĂ§Ă£o que passamos a olhar para o futuro com certo pesar, o importante hoje Ă© encurtar carreiras, talvez com a suposta opĂ§Ă£o que se nĂ³s ficarmos menos tempo trabalhando, no futuro vamos ter mais tempo para nĂ³s mesmos. A teoria na verdade nĂ£o se reflete na prĂ¡tica, pessoas com mais de 40 anos sĂ£o consideradas obsoletas para o trabalho, a tal garotada que esta chegando tira dos mais velhos a chance de seguir na vida com dignidade, ao invĂ©s de usar como exemplos sĂ£o tratados como placas de vĂ­deo de um computador antigo e rapidamente descartados, uma equivocada visĂ£o empresarial que acaba gerando a culpa nos mais novos e criando um enorme abismo social.


Foi pensando dessa maneira e, talvez, querendo fazer um mea-culpa, que a maior empresa de tecnologia do mundo, a Google, resolveu ser o personagem principal nesse filme em tom de comĂ©dia que estrĂ©ia no dia 30 de agosto. Os EstagiĂ¡rios (FOX) trata desse tema com humor e um pouco de temor. Billy (Vince Vaughn, que tambĂ©m assina a produĂ§Ă£o) e Nick (Owen Wilson, um engraçado com cara de pastel) sĂ£o vendedores cujas carreiras foram bombardeadas pelo mundo digital. Tentando provar que nĂ£o sĂ£o obsoletos, eles desafiam as chances e conseguem um estĂ¡gio na empresa Google, junto com um batalhĂ£o de brilhantes estudantes. Mas ganhar o estĂ¡gio foi apenas o começo. Agora eles devem competir com um grupo de elite de gĂªnios da tecnologia provando que necessidade Ă© mesmo a mĂ£e da reinvenĂ§Ă£o. É um filme divertido para os mais jovens, cheio de gags cĂ´micas que remetem a atuais blokbusters (cita-se Harry Potter e os X-men), mas Ă© uma forma fria e coerente de se entender que o mundo de hoje esta queimando uma geraĂ§Ă£o na frente da tela do computador, tipo, vai esperar passar o tempo de trabalho para começarmos a nos divertir, ou em termos prĂ¡ticos, a adolescĂªncia começa na aposentadoria.


O filme Ă© divertido, tem um tipo de narrativa e ediĂ§Ă£o quase infantil para os atuais padrões, mas Ă© como um todo muito ligado ao tempo dos dois personagens, tĂªm a clĂ¡ssica cena em boates, que alguns nerds atuais sĂ³ conhecem via computador e a irreverĂªncia do começo da maturidade, onde homens e mulheres tem que se encontrar pessoalmente (meio fora de moda nos dias de hoje!) para poderem sentir as reais sensações da vida, entre elas o amor, sendo esse o grande gancho que une gerações com o objetivo de ganhar o jogo sem deixar de ser humanos. A atual tecnologia e o que a empresa tem de melhor Ă© mostrada em rĂ¡pidas pinceladas, o choque que Ă© provocado entre o novo e o velho mundo rapidamente se transforma no momento para pensar, com citações quase constantes entre os dois paralelos, seja no discurso dos veteranos, na hora da demissĂ£o, na pizzaria ou na visita ao asilo.


É um Ă³timo filme para se conferir atĂ© onde nossos celulares podem nos levar, mas Ă© principalmente a forma correta de entendermos que somos homens e nĂ£o mĂ¡quinas e sim, somos insubstituĂ­veis.


A gente se encontra na semana que vem!

Beijos & queijos

Follow me on twitter: @borrachatv