Texto: Eduardo Abbas
A
vida Ă© realmente dura para todos aqueles que nĂ£o fazem parte da nova geraĂ§Ă£o de
vive conectada. O respeito ao semelhante e as relações interpessoais passam por
um novo modelo de aprovaĂ§Ă£o, a nova geraĂ§Ă£o de trabalhadores do mundo tem que
ser um pouco mĂ¡quina. Foi pensando nessa situaĂ§Ă£o que passamos a olhar para o
futuro com certo pesar, o importante hoje Ă© encurtar carreiras, talvez com a
suposta opĂ§Ă£o que se nĂ³s ficarmos menos tempo trabalhando, no futuro vamos ter
mais tempo para nĂ³s mesmos. A teoria na verdade nĂ£o se reflete na prĂ¡tica,
pessoas com mais de 40 anos sĂ£o consideradas obsoletas para o trabalho, a tal
garotada que esta chegando tira dos mais velhos a chance de seguir na vida com
dignidade, ao invĂ©s de usar como exemplos sĂ£o tratados como placas de vĂdeo de
um computador antigo e rapidamente descartados, uma equivocada visĂ£o
empresarial que acaba gerando a culpa nos mais novos e criando um enorme abismo
social.
Foi
pensando dessa maneira e, talvez, querendo fazer um mea-culpa, que a maior
empresa de tecnologia do mundo, a Google, resolveu ser o personagem principal
nesse filme em tom de comédia que estréia no dia 30 de agosto. Os
EstagiĂ¡rios (FOX) trata desse tema com humor
e um pouco de temor. Billy (Vince Vaughn, que tambĂ©m assina a produĂ§Ă£o)
e Nick (Owen Wilson, um engraçado com cara de pastel) sĂ£o vendedores
cujas carreiras foram bombardeadas pelo mundo digital. Tentando provar que nĂ£o
sĂ£o obsoletos, eles desafiam as chances e conseguem um estĂ¡gio na empresa
Google, junto com um batalhĂ£o de brilhantes estudantes. Mas ganhar o estĂ¡gio
foi apenas o começo. Agora eles devem competir com um grupo de elite de gĂªnios
da tecnologia provando que necessidade Ă© mesmo a mĂ£e da reinvenĂ§Ă£o. É um filme
divertido para os mais jovens, cheio de gags cĂ´micas que remetem a atuais
blokbusters (cita-se Harry Potter e os X-men), mas Ă© uma forma fria e coerente de se entender que o
mundo de hoje esta queimando uma geraĂ§Ă£o na frente da tela do computador, tipo,
vai esperar passar o tempo de trabalho para começarmos a nos divertir, ou em
termos prĂ¡ticos, a adolescĂªncia começa na aposentadoria.
O
filme Ă© divertido, tem um tipo de narrativa e ediĂ§Ă£o quase infantil para os
atuais padrões, mas é como um todo muito ligado ao tempo dos dois personagens,
tĂªm a clĂ¡ssica cena em boates, que alguns nerds atuais sĂ³ conhecem via
computador e a irreverĂªncia do começo da maturidade, onde homens e mulheres tem
que se encontrar pessoalmente (meio
fora de moda nos dias de hoje!) para poderem sentir as reais sensações
da vida, entre elas o amor, sendo esse o grande gancho que une gerações com o
objetivo de ganhar o jogo sem deixar de ser humanos. A atual tecnologia e o que
a empresa tem de melhor Ă© mostrada em rĂ¡pidas pinceladas, o choque que Ă©
provocado entre o novo e o velho mundo rapidamente se transforma no momento
para pensar, com citações quase constantes entre os dois paralelos, seja no
discurso dos veteranos, na hora da demissĂ£o, na pizzaria ou na visita ao asilo.
É
um Ă³timo filme para se conferir atĂ© onde nossos celulares podem nos levar, mas
Ă© principalmente a forma correta de entendermos que somos homens e nĂ£o mĂ¡quinas
e sim, somos insubstituĂveis.
A gente se encontra na semana que vem!
Beijos &
queijos
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