Uma realização espetacular e interpretações marcantes vão fazer desse filme um clássico do novo século

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Paramount Pictures

No cinema, tem histórias que só Martin Scorsese consegue contar. Ele é um dos mais polêmicos diretores de sua geração, foi indicado 14 vezes ao Oscar® e só ganhou um, já fez filmes para adultos e crianças, foi cultuado e criticado, mas nunca perdeu o jeito de te segurar em uma cadeira pelo tempo que ele achar necessário. Sim, esse baixinho de 80 anos sabe exatamente como dominar a plateia.

Sua nova produção, realizada durante a pandemia, tem 3 horas e 26 minutos, e acredite, só o número assusta. Na sala não se percebe que o tempo passou até porque a construção de cada personagem em um roteiro adaptado do livro Killers of the Flower Moon, de David Grann, é um primor, o “enfeiamento” de Leonardo DiCaprio, que faz par romântico com Lily Gladstone e a reconstituição de época, são alguns elementos que tornam o filme um sério candidato aos prêmios do ano.

Estreia hoje nos cinemas brasileiros Assassinos da Lua das Flores (Apple Studios, Imperative Entertainment, Sikelia Productions, Appian Way Productions, Paramount Pictures), uma obra de US$ 200 milhões que é a cara de seu criador: forte, violenta, realista e muito bem contada. Scorsese escreveu o script junto com o premiado roteirista Eric Roth, portanto, pode esperar ótimos diálogos com sotaques e uso de outro idioma, é uma ousadia espetacular que a dupla nos brinda.

O longa é baseado em uma história real, na virada do século 20, o petróleo trouxe uma fortuna para a nação Osage, eles se tornaram os mais ricos do mundo da noite para o dia e isso atraiu todo tipo de aproveitadores que roubaram o quanto puderam até recorrer ao assassinato. As atuações são brilhantes, os personagens Ernest Burkhart (Leonardo DiCaprio), Mollie Burkhart (Lily Gladstone) e o tio William Hale (Robert De Niro) dão aula de representação em diversos plano-sequência e em diálogos com mudanças de humor, onde De Niro é mestre. Os outros personagens do imenso elenco seguem o altíssimo padrão de representação graças à direção firme de Scorsese, ele também assina a produção junto com DiCaprio.

Tecnicamente é um filme brilhante, a fotografia “empoeirada” feita pelo mexicano Rodrigo Prieto, os efeitos visuais assinados pela Industrial Light & Magic, a trilha sonora do saudoso Robbie Robertson e a montagem clássica da espetacular Thelma Schoonmaker formam um conjunto que agrada aos olhos e nos leva a uma imersão profunda na história americana.

Assassinos da Lua das Flores deve se tornar referencia cinematográfica, certamente vai brigar por prêmios e, talvez até por conta da idade, seja a obra derradeira de Scorsese, o que seria uma tristeza para quem ama o cinema, principalmente quando é feito por gênios contadores de histórias.

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