Baseado na vida de um dos maiores escritores do mundo, o filme mostra a incrĂ­vel trajetĂ³ria do homem dos anĂ©is

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Fox Film

Certa vez eu ouvi de um professor sociologia que “se todos nĂ³s fossemos adultos que realizaram tudo que sonhamos na infĂ¢ncia, hoje seriamos milhões de astronautas desempregados morando na lua”. Essa afirmaĂ§Ă£o nĂ£o quer dizer que nĂ£o devemos sonhar, mas que precisamos separar o que pode acontecer ou nĂ£o com nossas vidas.


É curioso saber que J.R.R.Tolkien nĂ£o tinha exatamente um sonho, na verdade ele vivia criando realidade, assim foi com seu alfabeto particular e as suas sociedades abertas que sempre discutiam os rumos dos povos. As situações baseadas em coisas cotidianas foram marcantes, viveu a realidade de seu tempo, norteou seu trabalho na simplicidade, se tornou avesso a coisas modernas, tipo assim, era um cara que olhava para o futuro com os dois pĂ©s no passado.


Parece ser contraditĂ³rio, mas estĂ¡ tudo bem explicado em Tolkien (Fox Searchlight Pictures, Chernin Entertainment, Fox Film), filme que jĂ¡ estreou no Brasil e se preocupa em contar a histĂ³ria da vida antes da obra de um dos maiores escritores do sĂ©culo XX, J.R.R.Tolkien foi um premiado escritor, professor universitĂ¡rio e filĂ³logo britĂ¢nico e sua vida era uma linda histĂ³ria de amor, tudo isso antes do O Senhor dos AnĂ©is.


O longa explora os anos de formaĂ§Ă£o do autor Ă³rfĂ£o ao encontrar amizade, amor, inspiraĂ§Ă£o artĂ­stica entre um grupo de colegas excluĂ­dos da escola, Primeira Guerra Mundial e todas essas experiĂªncias que ajudaram a escrever seus famosos romances da Terra-MĂ©dia. Pena que a direĂ§Ă£o do filme nĂ£o acompanha a grandiosidade de sua obra.


Entregue para o cipriota radicado na FinlĂ¢ndia, Dome Karukoski, a realizaĂ§Ă£o deixa muito a desejar, ele tinha nas mĂ£os uma excelente oportunidade de se tornar um diretor de sucesso e alavancar a carreira, fez de uma histĂ³ria linda e cheia de reviravoltas reais algo burocrĂ¡tico e sem carisma, tem momentos que vocĂª atĂ© acha que o casal nĂ£o combina.



Nicholas Hoult Ă© um Ă³timo ator (o Fera da franquia X-Men), mas parece que nĂ£o vive o personagem, nem mesmo Lily Collins (filha de Phil Collins) vive um bom momento, falta a ela aquela força caracterĂ­stica da real Edith Bratt, ela que foi inspiraĂ§Ă£o para a criaĂ§Ă£o de diversos personagens de Tolkien por sua beleza e graciosidade, no filme dĂ¡ a impressĂ£o que ela Ă© mais nova que ele e aceita tudo de forma passiva, na verdade tinha 3 anos a mais e era uma fera.


Tecnicamente o filme Ă© bem realizado, a fotografia Ă© clara e a utilizaĂ§Ă£o de artifĂ­cios na pĂ³s-produĂ§Ă£o ajudam a contar sobriamente a histĂ³ria, porĂ©m algumas coisas me deixaram incomodado, como as roupas dos personagens, nĂ£o importa a situaĂ§Ă£o, sĂ£o sempre escandalosamente novas, ajustadas e sem um remendo sequer, primam pela limpeza e pelo pouco uso, mesmo durante a guerra, eu nĂ£o encontrei nenhum buraco de bala nos sobretudo, mesmo depois dos tiroteios.



Tolkien deve ser assistido pelo seu imenso valor histĂ³rico, por mostrar que as lições que aprendemos na vida devem ser usadas em algum momento, que o amor faz muita diferença no onde e quando chegar, que os homens e mulheres que construĂ­ram a nossa atual sociedade tiveram uma imensa cota de sacrifĂ­cios e deixaram seus legados, coisas impossĂ­veis no mundo de hoje, onde as mĂ­dias sociais afirmam que tudo e todos estĂ£o errados.