COLUNA DO BORRACHA: Errou na pista e acertou no marketing

Essa é a Ferrari, a equipe italiana dá mostras que vai brigar pelo campeonato e apresenta a nova Fórmula 1 ao mundo

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: f1.com

Era para ser uma corrida como outra qualquer, com fracas disputas em uma pista onde passar é complicado e os pilotos meio sem tesão de arriscar algo diferente do planejado fazendo o mínimo necessário. As arquibancadas cheias e sempre vibrando, mas aquela coisa institucional, com calor apenas dos gritos, sem cara, sem identidade, enfim, com aquela fleuma inglesa que imperou nos últimos 30 anos da categoria. Era, porque agora a paixão mostrou sua cara e os atores de sempre abrem espaço para aqueles que são a razão das disputas: o público.


Como não se emocionar com a imagem de um menino chorando no momento em que seu time do coração fica fora da disputa logo na primeira curva? Como não sentir alívio quando o mesmo menino vibra na manobra antológica que Vettel fez para ultrapassar Bottas? E como não ficar arrepiado com a atitude humana em buscar a criança na arquibancada e colocar ao lado do ídolo? Isso foi a Ferrari em grau máximo de marketing e lógico, colocando um tempero mais humano em uma disputa de máquinas.


O pequeno gaulês de nome Thomas foi o ícone do fim de semana em uma transmissão feita pela FOM que beirou a perfeição, há muitos anos eu não acompanhava uma corrida a distancia que fosse tão completa em todos os sentidos e a televisão conseguiu contar a história toda com uma enorme quantidade de emoção, afinal, ação e emoção é o que procura quem assiste corridas, entenderam? Ainda bem que os Americanos chegaram e acabaram de vez com aquela carranca inglesa dos últimos anos, a nova cara da categoria é muito mais alegre.


Na pista os atores também ajudaram muito, os pegas desta vez foram transferidos do pelotão intermediário para frente, a briga foi pela ponta e pelo campeonato, foram cachorros grandes lutando por um osso, foram os melhores pilotos se pegando pelas primeiras posições, foi o respeito e o reconhecimento de todos que a luta é árdua com oponentes de muita capacidade, se continuar assim este será o melhor ano da categoria em décadas e olha que eu nem estava empolgado assim.


Hamilton impôs sua melhor condição empurrado por um canhão e com uma tática vencedora, não foi fácil como nos anos anteriores, a Ferrari com Vettel mostra que o braço esse ano faz muita diferença, 7 títulos mundiais batendo roda no fim da curva acredito que seja inédito, dois carros muito próximos com táticas opostas acabaram favorecendo o inglês, mas não se espantem se o alemão der o troco bem dado na próxima etapa.


Eu ainda aposto no inglês para vencer o campeonato este ano, como eu já vinha dizendo, as etapas europeias devem mostrar um caminho mais pavimentado para a Mercedes, mas a vida não vai ser tão simples, os italianos parecem ter encontrado um caminho muito bom e vão incomodar demais, este ano não dá pra bobear mesmo.


Bottas ainda não consegue ser constante como um campeão mundial deve ser, não chegou o momento dele e vai ter que remar o ano pelo companheiro, já Verstappen começa a sentir na pele aquela maré de azar que um dia chega para pilotos de ponta, desta vez ficou fora logo de cara mas tem o ano todo para se recuperar e voltar a ser protagonista, se bem que a sua equipe parece estar meio confusa. Confusa e burra é a equipe Williams, apostaram na pior dupla do grid e vão pagar um preço muito alto, o carro já começou a ficar defasado em relação aos outros, isso era evidente porque o feedback que vem da pista é o pior possível: um piloto só tem grana e vontade e o outro virou uma chicane móvel, aí não tem jeito, se sou eles demito o cansado e trago o Button pra acertar a bicheira.


Vou ficando por aqui, no fim de semana a MotoGP corre em Le Mans, uma pista que a Yamaha costuma se dar bem e no caso precisa, eu vou conferir e trazer tudo pra você na semana que vêm.


Beijos, queijos e aproveite a vida!
Eduardo Abbas. Tecnologia do Blogger.