COLUNA DO BORRACHA: Um sonho de liberdade

Nico Rosberg leva o campeonato, anuncia aposentadoria e mostra para todos os habitantes do planeta que o livre-arbítrio existe

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: f1.com

Não existe nada melhor para uma pessoa que ela possa simplesmente decidir sua vida e seu destino, não ficar preso a paradigmas nem mesmo a compromissos que se tornam mais difíceis de serem cumpridos dia após dia. A liberdade é um direito de todos, somos seres pensantes, inventivos e precisamos respirar um ar mais leve na nossa curta jornada.


Nico Rosberg é um cara de família, desde sempre acompanhou seu pai Keke pelas pistas do mundo, cheirou muita gasolina queimada, entrou nesse mundo, claro, pelas mãos do ex-campeão e de lá só sairia consagrado. Casou, não faz barulho sobre a sua vida e respeita sempre a opinião daqueles que o colocaram nessa jornada que é viver, afinal de contas, quem escuta pai e mãe dificilmente se dá mal.


A razão para tão radical atitude? Simples, ele cansou de ver suas duas mulheres, a mãe e a esposa, ficarem preocupadas e sofrendo enquanto ele estava na pista desafiando a sorte, até porque já ganhou muito dinheiro e quer aproveitar a vida da melhor maneira, mas fazendo o quê? Não sabe e nem está preocupado ainda em saber.


E a tal briga com o Hamilton? Claro que ninguém é amigo de ninguém nesse meio, claro que todos estão preocupados em puxar a sardinha para o próprio prato, mas convenhamos, desde sempre eles foram rivais e companheiros, ambos certamente ficaram mais tempo juntos do que com a família, e parece que no ocaso da carreira, o primeiro que soube da decisão do alemão foi o inglês. Uma fonte ligada ao Lewis me disse que ele sabia antes da Mercedes que o futuro nas pistas não teria o Nico como adversário, só não me disse se foi antes ou depois da etapa de Abu Dhabi.


Algumas pessoas até podem achar que o inglês jogou sujo durante a corrida, diminuindo o ritmo para colocar o companheiro na mira dos outros adversários, que não deveria ter feito aquilo e coisa e tal, o famoso choro das viúvas inconformadas e de quem apenas olha o mundo por um ângulo.
  • Foi antiesportivo? Não!
  • Sua atitude provocaria algum acidente ou colocaria em risco a integridade de alguém? Não!
  • O piloto é obrigado a andar o tempo todo no limite? Não!
  • Se o Rosberg se sentisse ameaçado, deveria ultrapassar (provocar um acidente não interessava ao Lewis) e ir embora? Sim!
  • O mundo tem muita gente chata? Sim, mas muito sim!
Definitivamente o alemão entra para a história como campeão mundial de Fórmula 1, como o segundo filho de ex-campeão do mundo a chegar lá e me surpreendeu, tomou uma atitude inesperada e corajosa, ligou o foda-se, saiu de cena, deixou uma batata quente para a equipe resolver e foi viver a vida. Às vezes precisamos de pessoas que tenham essa coragem para provar que sim, tudo na vida é possível, não é só o dinheiro e a fama, é a paz de espírito, coisa que a quase múmia Bernie Ecclestone, seus ajudantes paleolíticos e jornalistas gagás já deveriam ter aprendido: larga tudo, pára de encher o saco dos outros e vai aproveitar o tempo que lhes resta, até parece que ainda não entenderam que caixão não tem gaveta e a morte não usa máquina de cartão de crédito.


Vou ficando e fechando o ano de competições por aqui, a COLUNA DO BORRACHA volta no ano que vêm durante os treinos para a nova temporada ou assim que o Felipe Nasr decidir sua vida na categoria. Aliás, na semana passada com o apoio do BORRACHATV ON LINE, foi lançado um host site que em menos de 24 horas já tinha mais de 1600 apoiadores, faça sua parte e entre para esse time clicando aqui.


A gente se encontra em 2017, beijos, queijos e aproveite a vida!

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