COLUNA SÉTIMA ARTE - Um cheirinho de sucesso no ar

A superprodução da Marvel apresenta o mais sombrio personagem criado por Stan Lee com efeitos espetaculares

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Walt Disney Studios Motion Pictures

Um antigo ditado diz que “ver e saber que têm, é a mesma coisa”, isso sempre ficou claro nas histórias em quadrinhos que norteavam a vida de muitos de nós que vivemos a infância e adolescência nos anos 60 e 70. A criação de um personagem que tinha seus super poderes ligados ao sobrenatural, em uma época que a cultura de alienígenas e dos geneticamente errantes faziam sucesso entre todos os leitores do planeta, foi um marco.


Na verdade ele é uma mistura de várias vertentes, mas se sobrepõem sobre os outros humanos normais por conta de sua capacidade de enxergar o intimo de cada um, é um personagem único, muito poderoso e tem a frieza de pelo menos 40% dos habitantes do planeta, ama sem demonstrar amor.


Claro que quando se é jovem você não imagina as dificuldades que existem para transformar um enredo complicadíssimo como esse em filme, já no gibi não, o papel aceita tudo, qualquer coisa é possível quando se trata de impresso. Na tela a coisa complica, as limitações tecnológicas e artísticas muitas vezes engavetam projetos maravilhosos, o bom mesmo é esperar o momento certo para concretizar o sonho e dar vida ao inanimado.


Estreou esta semana já arrebentando as bilheterias do mundo Dr. Estranho (Marvel Studios, Walt Disney Studios Motion Pictures), seguramente o melhor filme de ficção do ano e que tem os efeitos mais espetaculares criados pelos competentíssimos artistas da Industrial Light & Magic, alguns podem até parecerem retóricos, mas a execução é sem precedentes. Lembra quando falei de momento certo? Então, não adiantava querer produzir um longa dessa magnitude e complexidade nos anos 90, só com a tecnologia do século XXI foi possível sua realização.


Trata-se de um filme de origem, mais preocupado em apresentar ao espectador o personagem desde seus primórdios até a sua enorme evolução em direção ao obscuro lado de seu imenso poder. O mundialmente famoso neurocirurgião Dr. Stephen Strange (vivido muito convincentemente por Benedict Cumberbatch de 12 Anos de Escravidão, O Jogo da Imitação, Aliança do Crime) cuja vida muda pra sempre após um terrível acidente de carro e impede que ele possa continuar utilizando as mãos.


Quando a medicina tradicional fracassa, ele é forçado a procurar cura, e esperança, em um lugar improvável - um enclave misterioso conhecido como Kamar-Taj. Ele rapidamente descobre que esse não é apenas um centro de cura, mas também a linha de frente de uma batalha contra forças ocultas do mal determinadas a destruir nossa realidade. Em pouco tempo Strange – armado com recém-adquiridos poderes mágicos – é forçado a escolher entre retornar à sua vida de riqueza e status ou deixar tudo para trás para defender o mundo como o feiticeiro mais poderoso que existe.


Como já é uma pratica comum no cinema atual, o diretor também escreve o roteiro, é uma forma de economizar, mas é também um jeito do realizador se envolver mais com a obra. Scott Derrickson (O Dia em Que a Terra Parou, A Entidade) é muito competente no que faz, a história é de fácil compreensão e a realização primorosa, digamos que o jargão de cinema e televisão “manda descer tudo” neste caso se apresenta em números impressionantes:


Foi filmado em Londres, Nova York, Katmandu (Nepal) e Hong Kong, 800 desenhos, 3000 desenhos conceituais e 40 maquetes de sets foram criados durante o processo de filmagem, 21 sets foram construídos o maior deles mede 48 x 25 m, usaram 6 Lamborghini para as filmagens, uma das lentes da câmera foi utilizada em Lawrence da Arábia, foram necessárias 350 toneladas de entulho de verdade na cena de destruição em Hong Kong.


A fotografia é impressionante, retrata os quadrinhos com muita proximidade (deve ser assistido em 3D), pois o diretor de fotografia Ben Davis (Vingadores: Era de Ultron, Antes de Dormir, Guardiões da Galáxia) chegou ao requinte de visitar centros cirúrgicos e salas de emergência para entender que tipo de iluminação e texturas precisaria usar para criar um ambiente hospitalar realista na tela.


Evidentemente que a montagem é um capítulo completamente à parte, os editores Wyatt Smith (Caminhos da Floresta, 300: A Ascensão do Império, Thor: O Mundo Sombrio) e Sabrina Plisco (Os Smurfs 1 e 2) realizaram um trabalho de altíssima qualidade, tanto em ritmo quanto em detalhamento durante a inserção dos efeitos visuais. Para quem já fez isso na vida algum dia, sabe certamente da dificuldade em ajustar os frames, os key frames e o sombreamento antes do render, que acredito, tenha sido feito em computadores iguais aos utilizados pela NASA, tamanha complexidade de live actions e stop motions necessários principalmente nas cenas de luta.


O filme é uma tremenda viagem visual, se torna obrigatório para quem curte cinema e principalmente as aventuras do Dr. Estranho que, finalmente ganhou as telas com a mais avançada tecnologia utilizada até agora e já está fazendo a alegria dos produtores, gastou-se US$ 165 milhões e nos primeiros dias de exibição já faturou mais de US$ 122 milhões.


Não perca tempo, corra para o cinema para testemunhar (sim, essa é a palavra!) o impressionante filme com o mais polêmico personagem, que aprende a importante lição de enterrar o ego em nome de um bem maior. Mas não saia durante os créditos tem duas cenas extras que vão te dar uma pista dos próximos passos do herói, é ver para crer!


A gente se encontra na semana que vêm!

Beijos & queijos

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