O primo do modelo de entrada é
metido, tem tudo que a versão mais cara carrega e ainda pode ser mais equipado
Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Toyota
Ter primos é tudo de bom, afinal
de contas eles são os nossos primeiros amigos, são aqueles que fazem parte da
família sem precisar morar na mesma casa, invariavelmente eles tem brinquedos
melhores que os nossos, juntos vamos às mesmas festas e são sempre paparicados
pelos nossos avós. O sucesso de um primo está sempre ligado à família, somos
todos da mesma descendência, um sempre torce pelo outro, na maioria das vezes
rimos e choramos juntos.
É bom ter um primo chique,
inteligente, que chama a atenção, isso faz com que nós também possamos ser
notados e muitas vezes mostrarmos o que temos de melhor, afinal temos a mesma
geração, a mesma origem. Esse foi o sentimento que tive ao testar por uma
semana o Etios Cross, um desses
carros que se fazem notar por serem diferentes, mais ousados e voltados a outro
tipo de uso, ele se dá bem na cidade, mas também se arrisca a pegar uma lama.
Não adianta contar aqui uma
história linda e maravilhosa sobre esse tipo de carro que é uma proposta
diferente das montadoras, o sobrenome Cross
significa que ele tem algumas melhorias se comparado ao modelo normal e topo de
linha, sua montagem tem uma cara mais agressiva, geralmente são colocados
pára-choques, pára-lamas e outros penduricalhos externos que o transformam em um
sujeito meio diferente, usa pneus e rodas com um desenho mais esportivo e é
mais alto que os primos sociais.
Agora, as mudanças estéticas que são
uma opção de acabamento, também alteram o modo do carro se comportar. Arrá! Não
é só mais um rotinho bonito na multidão, ele também é diferente e isso deu para
comprovar principalmente na estrada onde o Etios
Cross lembra seus primos, mas se comporta como se fosse de outra família.
Ele foi lançado com essa nova
cara no começo do ano junto com as outras versões do Etios e a matéria você pode conferir aqui,
é equipado somente com o motor 1.5L Flexfuel, Dual VVT-i DOHC de 16 válvulas,
tem 107 cv com etanol e 102 cv com gasolina. As únicas opções são o câmbio, que
pode ser o manual com seis velocidades ou automático com quatro e uma das 7
cores. No modelo que testei, ele estava abastecido com etanol e a transmissão
era a automática, importante para se avaliar o desempenho e a economia em um
carro muito leve.
Na cidade é aquela coisa de se
andar com um carro um pouco mais alto que os demais, buracos e lombadas são
transpostas facilmente e sem medo de se tocar o fundo do Etios Cross no chão, isso também facilita na hora de entrar e sair,
os movimentos são menores por causa da sua altura e dos bancos. O câmbio é
muito bom, rapidamente sobe as marchas sem dar trancos nem “bobear”, isso é ajustado visando a
economia de combustível, quanto mais solto ele rola, menos força faz o motor e
menos etanol é consumido. Cheguei a fazer, segundo dados do computador de
bordo, 7,6 km/l em condições de tráfego pesado, ar condicionado ligado e
velocidade média de 40 km/h .
A agilidade do modelo é um pouco
maior que o de seus primos, você sente mais o carro nas mãos, as rodas e pneus
um pouco mais largos fazem diferença pra quem gosta de sentir o conjunto
mecânico sendo dominado. Isso não influencia nas manobras, são leves, tem
espelhos grandes e câmera de ré e janelas generosas, estacionar em shoppings
mesmo nas vagas mais apertadas não gera nenhum desconforto.
Na estrada a conversa muda de tom
em comparação aos modelos sociais, a pegada é um pouco mais forte e o
desempenho tem certa diferença, é semelhante aos primos, mas a dirigibilidade é
diferente, ele entra e sai das curvas com mais ação, tem ótima performance em
velocidade cruzeiro e parece realmente outro carro. Claro que a suspensão
recalibrada por conta de sua nova altura e os pneus mais largos ajudam, o
conjunto é muito mais firme e surpreende até mesmo quem já conhece o Etios de outras festas da família.
A impressão que se tem é que o Etios Cross é mais rápido e econômico
em rodovia, segundo o computador, fiz uma média de 10,3 km/l com velocidade
média de 110 km/h
(máxima da estrada), não são efetuadas trocas constantes de marcha e usar o
Cruise Control é quase uma obrigação, com ele o conjunto funciona linearmente e
tem como conseqüência aumento na economia.
Mas, de que adianta ter um carro
com cara de off - road e não se meter na terra? Pois é, encarar poeira é
preciso e necessário, por isso escolhi um trecho acidentado e meio fora do
perímetro urbano. Em parelheiros, extremo sul da cidade de São Paulo, existem
chácaras e casas de campo aonde para se chegar são utilizadas estradas cortadas
dentro de lotes rurais, não são vicinais, são acessos feitos por moradores.
E ai fui eu, as crateras e a
imensa quantidade de pedras soltas já assustam em trechos de reta, que dirá em
subidas ou descidas? O carro não se acovarda, o trabalho da suspensão é preciso
e muito ágil, transpor tais obstáculos é muito simples, talvez carros normais
tenham dificuldade, mas o Etios Cross não
demonstra qualquer problema. A força do motor, o câmbio que tem opção de usar
marchas mais baixas de modo fixo e o subir e descer das quatro rodas garante
uma passagem fácil e rápida, surpreende até quem mora lá a ponto de me
perguntar se eu não gostaria de vender o carro.
Eu não, mas as concessionárias da
marca com certeza! Os preços são de R$ 58.650 na versão manual e R$ 63.220 com
câmbio automático, os itens de conforto e segurança são os mesmos da versão XLS acrescido de mais alguns detalhes e
pode acomodar mais alguns opcionais, pode ser adquirido pelo sistema Ciclo
Toyota que foi lançado no mês de agosto, tem 3 anos de garantia e todas as
facilidades que seus primos oferecem, afinal de contas, família é para essas
coisas, a Toyota que o diga.
Ficha Técnica










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