A nova aventura dos viajantes do espaço
ganha em humor, ação e personagens marcantes
Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Paramount
Pictures
Dizem que os 50 anos são agora os
novos 40, quem chega a essa marca de meio século certamente sabe o tamanho das
batalhas que teve que travar durante esse tempo, viveu uma mudança de século e
foi testemunha da maior integração entre os povos através de artifícios áudio-visuais.
Esses tais artifícios são o ponto
alto de uma produção das mais bem cuidadas e executadas de uma idéia que nasceu
nos loucos anos 60 e já viajou por tantas galáxias e lutou com tantos alienígenas
que daria para povoar o universo várias vezes, mas que continua sendo uma das criações
mais cultuadas de todos os tempos, não acredito que exista alguém que nunca
tenha visto um pedaço sequer de algum episódio nem que desconheça o Mr. Spock.
Estréia nesta quinta-feira na Via
Láctea, planeta Terra e país Brasil Star Treck: Sem Fronteiras (Skydance,
Bad
Robot, Sneaky Shary, Perfect Storm Entertainment, Paramount Pictures )
13º longa metragem baseado na série de TV e 3º com o novo elenco que substituiu
os atores anteriores por motivos óbvios: a idade avançada de alguns deles e o
chamado divino em alguns casos.
Nessa nova aventura que teve o roteiro
escrito por Simon Pegg, o genial e atrapalhado agente de Missão:
Impossível (em alguns momentos o filme até lembra o dos agentes) os
tripulantes estão perdidos em um planeta desconhecido, o capitão Kirk
(Chris
Pine, que fez os dois anteriores e esteve também e Batman
Vs Superman: A Origem da Justiça) e a sua equipe estão sob
ameaça de Krall (Idris Elba, que é lembrado por Vingadores:
Era de Ultron, Thor: O Mundo Sombrio, Círculo
de Fogo), um inimigo misterioso que colocará à prova tudo o que
a Federação
representa. Eles precisam encontrar uma forma de driblar o vilão, contando
apenas com a união da equipe e com Jaylah (onde a argelina Sofia Boutella, dona de lábios enormes e
que esteve em
Kingsman:
Serviço Secreto , StreetDance 2),
única aliada que encontram pelo caminho.
Claro que os efeitos visuais são o
ponto alto e marca registrada dos filmes da franquia, a criação esteve sempre a
cargo da Industrial Ligth and Magic quando ainda tinha como dono o George
Lucas, mas com a mudança de patrão e provavelmente um impedimento por
estar ligada agora ao grupo Disney, obrigou os produtores a
procurarem a Double Negative que assumiu a missão de manter o padrão e a
credibilidade dos efeitos.
E deram um show! A empresa que
tem no currículo os filmes: Interestellar, as
franquias de Bourne e Jogos Vorazes, Vingadores:
Era de Ultron, Capitão
América: Guerra Civil, Ex-Machina, O
Menino do Pijama listrado entre outros, criaram uma nova linguagem
para esse novo episódio da saga, a mistura de CGI com maquiagem e um figurino
muito refinado e colorido de forma suave, permitiu que a fotografia fosse mais
abusada em termos de luzes estourando ou mesmo escuro extremo, a chamada “noite americana” (Técnica de iluminação e
filtragem para simular um efeito noturno numa imagem filmada durante o dia, ou
seja, filma-se com sol a pino, a luz perfeita, depois se escurece a cena com artifícios
de computador) foi
usada mais de uma vez e teve um acabamento primoroso.
A direção do taiwanês Justin
Lin até poderia ser contestada, afinal ele tinha no currículo de expressão
mesmo 4 filmes da franquia Velozes e Furiosos e claro
que diferem muito de Star Treck, mas a aposta do
produtor J.J. Abrams (que desta vez acertou, ufa...) foi correta e deu
uma cara mais dinâmica para a aventura que foi bem filmada e muito bem editada
pelo quarteto Greg D'Auria, Dylan Highsmith, Kelly Matsumoto e Steven
Sprung, que já trabalharam com diretor anteriormente.
As interpretações estão mais
firmes, mais coesas e menos canastronas como em filmes anteriores, os atores
finalmente vestiram seus personagens e convencem melhor o espectador, inclusive
a inclusão social e a miscigenação de raças demonstram o quanto é correta a
abordagem que o filme tem em tempos de separatistas e homofóbicos. Mas nem tudo
é alegria no universo que a SS ENTERPRISE navega, um acidente estúpido
sofrido pelo ator Anton Yelchin, o navegador Pavel Chekov interrompeu sua
carreira dias antes da estréia do filme nos EUA.
Talvez por isso Star
Treck: Sem Fronteiras não tenha sido dedicado também a ele, já que foi
ao eterno Mr. Spock, o ator Leonard Nimoy que foi para outra galáxia
em 2015 e deixou uma enorme quantidade de fãs das aventuras espaciais, que vão encontrar
nesta nova aventura a chama que vai ainda queimar por mais 50 longos anos. Vida
longa e próspera!
A gente se encontra na semana que vêm!
Beijos & queijos
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