É uma responsabilidade imensa
recriar um dos mais longos, premiados e cultuados filmes produzidos no século
passado
Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Paramount
Pictures
A vida Ă© feita de coragem,
determinaĂ§Ă£o e busca por um ideal, nĂ£o vale a pena viver se nĂ£o tiver um
objetivo, algo determinante na sua vida e daqueles que te orbitam. Criar sempre
Ă© mais difĂcil que copiar, afinal de contas, a imaginaĂ§Ă£o fĂ©rtil e a realizaĂ§Ă£o
do sonho geralmente moram muito distantes uma da outra. Quando soube do reboot
deste clĂ¡ssico, como nĂ£o duvidar da capacidade de surpreender que estaria posta
em xeque?
NĂ£o se trata de um filme
qualquer, estĂ¡ entre as maiores realizações do cinema nos Ăºltimos 100 anos, Ă©
cultuado e considerado por muitos como um dos melhores filmes de todos os
tempos, foi feito em uma Ă©poca em que os efeitos especiais quase nĂ£o existiam,
tudo deveria mesmo acontecer e ser filmado uma, duas vezes no mĂ¡ximo, e contava
com um elenco estreladĂssimo na Ă©poca. Re-filmar Ben-Hur? SĂ³ se for
louco, porque das duas uma: ou vai para o cĂ©u ou arder no mĂ¡rmore do inferno!
Mas a insanidade Ă© coisa de gĂªnio
e por isso ser louco tem sempre algumas vantagens que nĂ£o conseguimos enxergar.
Estréia hoje com aquela esperança de perdurar tanto quanto seu antecessor o
filme Ben-Hur (Lightworkers Media,
Bazelevs Company, Metro-Goldwyn-Mayer Pictures, Paramount Pictures )
que na verdade Ă© baseado em alguns dos momentos mais importantes do irmĂ£o mais
velho, aquele de 1959.
NĂ£o se trata de um remake 100%
fiel Ă segunda versĂ£o (isso mesmo, o
clĂ¡ssico filme de William Wyler Ă©
uma re-filmagem de Ben-Hur: A Tale of
the Christ de 1925 que era mudo) tem na verdade uma histĂ³ria
modernizada, mais clara e menor (o anterior tinha 3 horas e 42 minutos de
exibiĂ§Ă£o!) e peca em alguns detalhes.
No filme, o prĂncipe Judah
Ben-Hur (vivido competentemente por Jack Huston, que Ă©
lembrado por Trapaça, Orgulho e Preconceito e Zumbis),
falsamente acusado de traiĂ§Ă£o por seu irmĂ£o adotivo, Messala (onde Toby
Kebbell de Planeta dos Macacos: O Confronto, Quarteto FantĂ¡stico
Ă© simples na interpretaĂ§Ă£o) um oficial do exĂ©rcito romano. DestituĂdo de seu
tĂtulo de nobreza, afastado de sua famĂlia e da mulher amada (vivida pela
iraniana Nazanin Boniadi, que participou de Homem de Ferro), Judah
Ă© forçado Ă escravidĂ£o. Depois de muitos anos no mar ele retorna Ă sua pĂ¡tria
em busca de vingança, mas encontra a redenĂ§Ă£o.
O filme também é estrelado por Morgan
Freeman (vivendo o convincente Sheik Ilderim) e Rodrigo
Santoro, um Jesus Cristo que, ao contrĂ¡rio da versĂ£o anterior, tem
participaĂ§Ă£o contundente no enredo e Ă© ponto de ligaĂ§Ă£o de vĂ¡rios fatos. É uma
maneira diferente de apresentar o drama vivido pelo milionĂ¡rio judeu, tem uma
quantidade menor de aĂ§Ă£o que o atual espectador estĂ¡ acostumado, Ă© rico em
diĂ¡logos e cenas fortes de lutas, guerras e a espetacular seqĂ¼Ăªncia das bigas
acaba sendo recriada com Ă¢ngulos muito diferentes dos anos 50.
Existe um grande mérito do
diretor cazaque Timur Bekmambetov (O Procurado, Abraham
Lincoln - Caçador de Vampiros) que em nenhum momento procurou
imitar o diretor da antiga versĂ£o, ele na verdade deixou a coisa fluir, trouxe
para os dias de hoje algo que era muito rebuscado e corretamente alinhado,
claro que facilitou o fato de ser uma histĂ³ria conhecida, provavelmente todos
os envolvidos na produĂ§Ă£o jĂ¡ o haviam assistido algumas vezes e deixa claro que
a visĂ£o dele Ă© aquela mesma que os atores tiveram em relaĂ§Ă£o ao filme.
Alguns erros no figurino (quem
assina Ă© a esposa do diretor, Varya Avdyushko) me incomodaram
durante as 2 horas e 21 minutos de exibiĂ§Ă£o, acho que passou realmente batido
ou nĂ£o se ativeram a detalhes que na versĂ£o anterior foi de muita preocupaĂ§Ă£o e
atĂ© ganhou o Oscar®. Tem tambĂ©m erros de continuidade que nĂ£o afetam no
enredo mas deixam claro uma certa vontade de terminar as filmagens rapidamente,
talvez o polpudo orçamento de US$ 100 milhões estivesse acabando.
NĂ£o Ă© de se duvidar, afinal sĂ£o
enormes cenĂ¡rios fĂsicos que foram construĂdos e muita coisa em computaĂ§Ă£o
grĂ¡fica aplicada no acabamento. A fotografia do diretor Oliver Wood (fez todos os
filmes da franquia Bourne e outros de aĂ§Ă£o) tem caracterĂstica de
documentĂ¡rio policial, tambĂ©m Ă© acompanhada pela ediĂ§Ă£o de Dody Dorn, Richard
Francis-Bruce e Bob Murawski que nĂ£o tem aquela
narrativa lenta caracterĂstica de filmes Ă©picos, Ă© mais moderna, agitada e
lembra (principalmente no mar) os bons momentos de filmes como Piratas
do Caribe.
Ben-Hur nĂ£o Ă© um
filme para ser comparado com seu antecessor, Ă© outra proposta de se contar uma
histĂ³ria jĂ¡ conhecida, Ă© uma produĂ§Ă£o bem cuidada, tem uma narrativa fĂ¡cil Ă©
dirigido e interpretado corretamente e vai agradar muito quem gosta de cinema
bem feito. NĂ£o acredito que seja indicado a 12 prĂªmios da academia nem que
ganhe 11 como o anterior, mas deve acertar em cheio a nova geraĂ§Ă£o, afinal de
contas, quem conta um conto acrescenta um ponto, ou tira.
A gente se encontra na semana que vĂªm!
Beijos & queijos
Twitter: @borrachatv
Facebook: www.facebook.com/borrachatv











0 ComentĂ¡rios