Explicar o desnecessário enche o saco de quem assiste

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: f1.com

Assistir corrida de Fórmula 1 hoje em dia é um exercício de paciência, tem coisas que já estão sendo vistas e não necessitam de qualquer explicação, as transmissões de hoje deveriam apenas e tão somente se fixar no que está acontecendo e não inventar fatos ou sugerir que ações mirabolantes vão acontecer.


Para quem acompanha corridas desde algum tempo e já assistiu a alguns GPs da Hungria nos últimos anos, é claro e notório que o piloto que larga na frente e tem um carro ajustado vai vencer, até porque ultrapassar naquela pista é muito complicado. A história mostra que corridas de recuperação em Hungaroring são muito difíceis de ocorrer, o piloto pode até ganhar algumas posições, mas sair de último e chegar em primeiro seria como acender um cigarro em um raio.


Foi o que aconteceu no fim de semana, Hamilton largou na frente, Rosberg em segundo e Ricciardo em terceiro e esse foi o pódio, claro que aconteceram alguns pegas com as Ferrari e Red Bull, mas nada que fosse alterar significativamente o resultado, é uma corrida chata, saiu na frente e não tem problemas, ganha.


O que enche o saco é que a memória da emissora detentora dos direitos da categoria para transmitir as corridas no Brasil se perdeu durante os mais de 40 anos de estrada. A Hungria surgiu no calendário em 1986, são 30 anos da mesma pista e nesse tempo o resultado sempre segue um padrão, não saber disso ou simplesmente relegar esse tipo de informação é o que acaba deixando quem assiste puto e as queixas de que não tem mais graça se acumulam. Tudo na vida evolui, mas fica difícil pensar em evolução se quem agora se apresenta como solução sequer abriu um livro de história para saber o aconteceu no passado, novidade mesmo é ver que ninguém sabe nada, nem os chutadores de plantão.


Voltando à corrida, foi como eu disse, largou na frente, não teve problemas, ganhou. Hamilton finalmente consegue a virada pra cima do companheiro e agora deve seguir firme para conquistar o tetra, afinal é o momento dele, está forte mental e fisicamente. No fim de semana já tem etapa na Alemanha, se ele confirmar a liderança do campeonato no momento da parada do meio do ano, não acredito que o Rosberg tenha fôlego e cabeça para recuperar esse terreno perdido, mas como Fangio já dizia: Carreras Son Carreras vai que algum esperto resolve dar um jeito e mudar o rumo do campeonato?


Nossos olhos têm que se voltar para o Felipe Nasr, é o último fio de esperança para voltarmos a ter algum respeito na categoria. Claro que o Brasil nunca vai deixar de ter um representante na Fórmula 1 pelo tamanho do mercado e pela representatividade a corrida em São Paulo, acontece que já deu pro Zacarias, melhor deixar o outro mostrar em uma equipe melhor do que é capaz. Mais uma vez ele foi destaque no fim de semana, nos treinos e andando na chuva, colocou muito velhaco no bolso, e incomodado o companheiro que tem uma versão melhor do carro, é ou não para se investir nesse sonho?


Vou ficando por aqui, no fim de semana tem F1 na Alemanha e Fórmula Indy em Mid-Ohio já apontando para a reta final do campeonato, um dos mais indefinidos dos últimos anos, e na semana que vêm eu conto tudo aqui.


Beijos & queijos

Twitter: @borrachatv