Um filme americano canadense de horror tem uma mĂ£ozinha brasileira e agrada quem gosta do gĂªnero

Texto: Eduardo Abbas
Fotos: Universal Pictures

Ah, os tempos sombrios da inquisiĂ§Ă£o na AmĂ©rica na idade moderna. As coitadas das bruxas eram perseguidas, queimadas e sofriam todo tipo de brutalidade que se tem notĂ­cia. Foi um perĂ­odo negro nas relações entre os chamados “puros” e aqueles que ousavam desafiar a normalidade da sociedade da Ă©poca.


A ignorĂ¢ncia deste perĂ­odo nĂ£o conseguia entender de outra forma as diferentes situações inexplicĂ¡veis que se colocavam diante das pessoas, o povo preferia procurar um culpado e acusĂ¡-lo de bruxaria, era mais fĂ¡cil e soluĂ§Ă£o quase sempre era regada a sangue e sacrifĂ­cios.


EstrĂ©ia nesta quinta-feira um filme que procura mostrar, ou pelo menos demonstrar, como pessoas unidas e amadas entre si, se corrompiam por conta de situações corriqueiras e sem explicaĂ§Ă£o.


Em A Bruxa (Parts & Labor, RT Features, Rooks Nest Entertainment, Maiden Voyage Pictures, Mott Street Pictures, Universal Pictures) um fazendeiro inglĂªs (vivido por Ralph Ineson, lembrado por Harry Potter e o Enigma do PrĂ­ncipe, Harry Potter e as RelĂ­quias da Morte 1 e 2, Guardiões da GalĂ¡xia, Kingsman: O Serviço Secreto), abandona sua fazenda da colĂ´nia, transferindo mulher e cinco filhos para uma remota terra nos limites de uma floresta sinistra. Fatos estranhos e inquietantes começam a acontecer quase que imediatamente, e aumentam as suspeitas e a paranĂ³ia dos membros da famĂ­lia que acusam a filha adolescente Thomasin (interpretado pela linda e jovem atriz Anya Taylor-Joy) de bruxaria.


O filme tem uma visĂ£o de produĂ§Ă£o muito diferente dos grandes blockbusters que abarrotam os cinemas atualmente, Ă© feito com um custo baixo, se apĂ³ia nas interpretações de jovens e promissores atores e utiliza tĂ©cnicas de captaĂ§Ă£o modestas. O custo de US$ 3.500.000 Ă©, como se diz no Brasil, dinheiro de pinga perto de outras produções, mas com criatividade e bom gosto tornou-se rentĂ¡vel, jĂ¡ faturou US$ 16.700.000.


Gravado com a Arri Alexa “Arriraw” usando lentes Cooke e em proporĂ§Ă£o 1:66, o diretor de fotografia Jarin Blaschke (Eu Acredito em UnicĂ³rnios) conseguiu dar uma textura muito particular ao filme, lembra as revistas em quadrinhos de horror dos anos 70/80.


As interpretações dos demais atores sĂ£o corretas e convincentes, o destaque Ă© para o menino Harvey Scrimshaw (ele vive o personagem Caleb), um jovem ator inglĂªs que segue a escola de talentos britĂ¢nicos que se espalham pelo mundo. Ele faz um contraponto perfeito com Anya, e ambos roubam as atenções no filme.


Claro que tudo se deve ao trabalho corretĂ­ssimo do diretor, as cenas bem dirigidas, bem coordenadas e bem escritas, dĂ£o ao estreante diretor e roteirista Robert Eggers um começo de carreira muito promissora, em nenhum momento ele deixa escapar o suspense.


Claro que nĂ£o se trata de uma das maiores obras da humanidade na sĂ©tima arte, evidente que as limitações de orçamento e as normais dificuldades em se realizar um longa com dinheiro de vĂ­deo release criam em seus realizadores a necessidade de usar mais a criatividade que o talĂ£o de cheques, mas tudo isso faz com que A Bruxa seja visto com olhos menos crĂ­ticos e mais interessados na histĂ³ria.


Vale salientar a importĂ¢ncia da produtora brasileira em participar do projeto, alĂ©m da competĂªncia na criaĂ§Ă£o e realizaĂ§Ă£o, ela ajudou os tranqĂ¼ilos e endinheirados americanos e canadenses a criar uma forma menos fĂ¡cil de se inserir na indĂºstria cinematogrĂ¡fica, afinal de contas, apertar o cinto e improvisar Ă© com a gente mesmo!


A gente se encontra na semana que vĂªm!

Beijos & queijos

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