Um filme sensĂvel e ao mesmo
tempo duro com as reações do ser humano diante da perda
Texto: Eduardo Abbas
Fotos: CalifĂ³rnia Filmes
Os altos e baixos, as perdas e
ganhos, sĂ£o uma forma de aprendizado que temos durante a nossa breve passagem
pelo plano terrestre. Algumas pessoas tĂªm maior facilidade em assimilar golpes
que o destino reserva, jĂ¡ outras nĂ£o, sucumbem a suas dificuldades de aceitaĂ§Ă£o
e se entregam ao misticismo, Ă procura de pessoas sensĂveis para poder
conversar com aqueles que jĂ¡ se foram e tentar entender o motivo da partida. Eu
acredito que todos nĂ³s estamos aqui por um motivo e um dia, inevitavelmente iremos
embora, a forma e o momento podem fazer toda a diferença para quem fica.
O roteiro co-escrito pelo
israelense descendente de russos Arie Posen, que também dirige Uma
Nova Chance Para Amar (Mockingbird Pictures,
CalifĂ³rnia Filmes) Ă© baseado em um fato real acontecido com o diretor,
que usou um pouco de sua prĂ³pria histĂ³ria (o tempo de 5 anos da aĂ§Ă£o Ă© o mesmo
da perda do pai do autor) para contar essa estĂ³ria, de forma singela no inĂcio,
mas que se torna uma obsessĂ£o com o passar do tempo.
No filme, uma viĂºva chamada Nikki
(interpretada pela sempre excelente Annette Bening) que, muitos anos
depois da perda de seu marido Garrett, conhece um homem chamado Tom
(ambos os papĂ©is sĂ£o vividos por Ed Harris) que se parece exatamente
com o falecido marido dela. De repente, uma onda de velhos sentimentos toma
conta dela: ela encontrou o amor de sua vida. De novo.
É um filme de poucos personagens,
5 para ser exato, onde ainda se destacam alĂ©m do par romĂ¢ntico a filha de Nikki
e Garrett, Summer (vivida por Jess Weixler, mais
conhecida por suas aparições em seriados de TV como Law & Order), uma
quase ponta da ex-mulher do personagem Tom, Ann (aqui vivida pela
excelente Amy Brenneman, que ganhou trĂªs vezes o Globo de Ouro na sĂ©rie
de TV Judging Amy) e uma também quase ponta do saudoso Robin
Williams no papel do amigo, confidente e eterno apaixonado por Nikki,
o vizinho Roger.
O filme prima pela cinematografia
feita pelo mexicano Antonio Riestra, que tem no currĂculo obras como KatmandĂº, Un Espejo en El Cielo e o
thriller Mama. Esse Ă© seu primeiro longa-metragem Estados Unidos, tem a fotografia suave,
singela e com detalhes de pontos luminosos em tomadas gerais, onde se pode
notar uma dessas artimanhas Ă© na cena da biblioteca, onde os livros tĂªm seus
topos propositalmente iluminados.
Onde o filme peca Ă© na
continuidade, a equipe de cenĂ³grafos e continuistas realmente deixou a desejar.
Em dois momentos, me senti incomodado pela falta de cuidado nesse quesito, na
cena da torrada atĂ© passa, mas a da gravata Ă© inaceitĂ¡vel. Outro ponto
questionĂ¡vel Ă© a direĂ§Ă£o pouco segura de Arien Posen que nĂ£o molda seus
personagens dando a eles caracterĂsticas prĂ³prias, os excelentes atores na
verdade agem de acordo com suas intuições, e em alguns momentos temos a
impressĂ£o jĂ¡ ter visto aquela expressĂ£o em outro lugar, ou seria em outra vida?
O filme que estréia aos cinemas
dia 18 de setembro, chega com atraso ao Brasil, jĂ¡ participou dos festivais de
Toronto e Vancouver do ano passado e foi um dos Ăºltimos do ator Robin
Williams. Uma Nova Chance Para Amar Ă© uma leitura obrigatĂ³ria para
quem se identifica com o tema e gosta de interpretações acima de qualquer
suspeita de um elenco maravilhoso, vai te tocar e te deixar pensando ao fim da
sessĂ£o, coisas que o cinema tambĂ©m faz com vocĂª.
A gente se encontra na semana que
vĂªm!
Beijos & queijos
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